
Certo dia, um casal estava sentado à cama conversando. De repente, Ana pergunta para Pedro o que ele acha de irem passar uns dias na casa de sua avó. Pedro aceitou o convite, pois sabia que era disso que o casal precisava para sair da rotina.
Ana ligou perguntando para sua avó se eles poderiam passar uns dias por lá. Claro que sua avó aceitou, pois era muito sozinha e o lugar era muito monótono. Depois de tudo pronto para a viagem, foram para o que eles pensavam que seria o lugar onde teriam paz e tranquilidade.
Chegando ao pequeno vilarejo, notaram que, além de estranho e monótono, o lugar provocava-lhes uma sensação estranha, quase ninguém andava pelas ruas e as pessoas possuíam um olhar mórbido, que fez Ana sentir calafrios. Ao chegarem à casa de sua avó, voltou a ter sensações ruins, mas continuou quieta, sem falar nada, pois sabia que aquela era uma oportunidade em que poderia matar a saudade da avó, além de renovar seu relacionamento com Pedro.
Ao jantarem, Ana estava muito feliz por estar ali perto de sua avó e de seu amor, mas no fundo sentia-se estranha, como se a casa toda estivesse a observando. Depois de jantar, foram deitar e descansar da viagem. Como a casa era pequena e tinha apenas um quarto, improvisaram uma cama no chão da sala.
Na madrugada, Ana acorda, pois havia perdido o sono. Sentia-se mal, não conseguia dormir e não quis incomodar Pedro, que estava cansado da viagem. Foi onde as coisas começaram a acontecer.
Ana começou a ver vultos por toda a sala, calafrios percorreram seu corpo, como se algo quisesse agarrá-la. Ela entra em pânico e acorda Pedro, chorando e muito assustada. Ele tenta acalmá-la. Enfim a tranquiliza e eles voltam a dormir. Tudo parecia ir bem, mas Ana sente algo se aproximando, há uma respiração cada vez mais forte. Ela cria coragem para olhar, quando vira, encontra sua avó, que era sonâmbula e andara pela sala.
Muito assustada, Ana abraça Pedro e fica quieta, pois tinha medo de acordar sua avó, que estava em transe.
Ao acordar pela manhã, Ana resolver ir embora. Pedro ainda tenta acalmá-la e convencê-la a ficar, porém ela resolve ir embora, afirmando que a casa não a queria ali. A avó, mesmo chateada, entende a neta.
Depois disso, Ana sempre sonhava com aquela casa e com as coisas que lá aconteceram, mas não conseguia fugir, acordava chorando e assustada. Certo dia, soube que sua avó havia sido atacada e morta, como se tivessem a espancado até a morte.
Poucos dias depois, Ana recebe o testamento, em que estava escrito que ela ficara com a casa de herança. Pedro chega e a encontra trêmula e chorosa, apavora-se com seu estado. Ao saber da novidade, pergunta por que estava assim, pois ganhara a casa de sua avó que tanto amava. Ana, chorando, responde:
_ Como poderia receber uma carta da minha avó, já que ela não sabia ler nem escrever?
Autora: Sabrina Machado

